segunda-feira, 28 de março de 2011

Varanasi - 27/03/2011


Cheguei em Varanasi as 8:30 da manhã com uma hora de atraso. Peguei um tuk tuk para o hotel e ele me deixou a mais ou menos 1km do hotel porque o hotel fica localizado a poucos metros do rio Ganjes e as ruas para se chegar perto do rio são muito estreitas. A primeira impressão de Varanasi é muito marcante, o cheiro é quase insuportável, as ruas pequenas impedem do cheiro se dissipar rapidamente, os animais, e provavelmente as pessoas também, fazem as suas necessidades na rua e jogam todo tipo de lixo no chão. Sei que com essa descrição você deve estar pensando algo como: Credo, eu nunca irei visitar um lugar como este! É... a Índia pode ser meio intragável as vezes, mas eu não sei porque, talvez porque eu já estou aqui a quase um mês isso não me impressionou muito, andei calmamente pelas ruas estreitas desviando dos lixos e fezes pelo chão, prendendo a respiração de tempos em tempos, ignorando os vendedores que toda hora tentam te empurrar alguma coisa ou te levar para o hotel deles. Acho que essa é a beleza do ser humano, ele sempre se adapta independente da situação. Com o tempo você começa a ver beleza até no mais bizarro dos cenários.

Ruas estreiras de Varanasi


Ao chegar no albergue tive que esperar ainda uma hora e meia para o quarto ser desocupado, eu estava muito cansado, não dormi quase nada no trem, mas pelo menos desta vez a cama do trem estava limpa, acho que é porque este trem parte de Déli que é a capital da Índia e eles tentam passar uma boa impressão por causa disso. Dormi algumas horas e depois sai para comer alguma coisa, fui a um restaurante indicado pelo dono do hotel. Lugar meio estranho, não muito limpo, mas a comida era realmente boa, o ruim foi só ter de esperar quase duas horas para comer, me lembrei da Bahia nesse momento.
Quando voltei fiz algumas amizades no hotel e fiquei conversando um bocado com o pessoal. Combinamos de ir a noite ver uma apresentação que ia acontecer na beira do rio Ganjes. Estou dividindo o quarto com a Júlia que conheci em Déli, ela estava vindo para cá no mesmo dia que eu e já tinha a reserva feita. A noite fomos ver a apresentação na beira do rio, éramos sete pessoas do mesmo hotel, foi muito bonito, bem diferente, uns homens vestidos com roupas tradicionais e segurando objetos com fogo, bem interessante. Depois fomos jantar em um restaurante perto dali.

Apresentação na beira do rio Ganjes


Hoje (28/03/11) foi um dia super tranqüilo, andei com a Júlia pela beira do rio Ganjes e tirei muitas fotografias, as pessoas se banham no rio se divertindo um dos mais poluído do mundo, lavam suas roupas, fazem suas preces. Uma pena que não vi nenhum yogue por aqui, talvez amanhã. Andamos bastante pelas ruas estreitas e cheirosas da velha Varanasi depois voltamos para o hotel, o sol castiga bastante, a Júlia ficou bastante cansada ela disse que eles nunca sentem calor assim na Áustria.

Roupas secando a beira do rio Ganjes


Amanhã irei fazer o passeio de barco pelo rio Ganjes, partida seis da matina espero tirar boas fotos e ver a cidade de outro ângulo, com certeza vai ser uma bela experiência. Hoje fiz a minha reserva do ônibus para o Nepal, Kathmandu fica a uns 600km daqui mas a viagem demora quase dois dias, o rapaz disse que é porque o terreno é muito acidentado e o ônibus não consegue ganhar velocidade. Bom é isso, estou adorando a cidade apesar de todos os pontos negativos. Muita gente legal por aqui, bom lugar para fazer amigos, minha lista do facebook está aumentando numa velocidade impressionante, espero algum dia poder rever alguns desses amigos que estou fazendo pelo caminho. Em Kathmandu irei reencontrar o Bruce da Escócia, eu o conheci em Déli no meu primeiro dia aqui na Índia.

Vista da beira do rio Ganjes

sábado, 26 de março de 2011

De volta a Delhi


Aqui estou eu de novo em Delhi. A segunda vez é sempre mais fácil, cheguei as 20:00 do dia 25 de março de 2011 no aeroporto de Delhi e logo na saída da esteira das malas já pude perceber a diferença, eu já não era mais aquele rapaz inseguro olhando para os lados assustado e sem saber para que direção seguir. Procurei um telefone público e liguei para o número do Albergue (o mesmo que eu havia ficado no início do mês), o rapaz tinha ficado de mandar um motorista me pegar no aeroporto mas ninguém estava lá. Pelo telefone ele me informou que não seria possível o motorista ir me pegar e falou para eu pegar um taxi por conta própria. Fui para o setor de serviços de taxi pré-pago e negociei o preço com o rapaz do balcão. Na saída do aeroporto entrei em um taxi muuuito velho, no estilo dos carros antigos da Índia. O motorista não fazia idéia de onde era o endereço do albergue e não falava quase nada de inglês. Mantive a calma, orei, respirei fundo... Ok, continuemos... Chegando perto do local do albergue, depois de rodar um pouco perdidos, vi que o albergue tinha mudado de local, eu já sabia disso porque pelo telefone o rapaz tinha me avisado, mas eu não fazia idéia para onde ele tinha ido. Rodamos uns 20 minutos até parar em um restaurante e ligar para o carinha do hotel ir me buscar. O motorista de taxi quando estava indo embora me pediu mais dinheiro porque ele tinha ficado rodando procurando o endereço, eu falei: nada feito, eu te dei o endereço certo anotado no papel, você é quem não sabia chegar aqui. Ele ficou muito alterado e chateado e começou a gritar em Indiano comigo, mantive a calma e repeti mais uma vez, o serviço é “PRÉ-PAGO!” você paga antes de entrar no taxi e não tem que pagar de novo quando chega. Ele ficou ainda uns cinco minutos falando em um dialeto que eu apesar de não entender a língua, sabia exatamente o que ele estava dizendo. Repeti mais uma vez que o serviço era pré-pago e que não era minha culpa se ele não sabia chegar no endereço. Depois disso ele foi embora e pouco depois chegou o rapaz da recepção do albergue.
Chegando no albergue mais uma surpresa, o lugar esta em completa reforma! Nada funciona, a internet cai o tempo todo e os banheiros não tem água, nem a descarga funciona e o melhor de tudo! Você paga o mesmo preço, hahaha, isso é a Índia. Paguei o preço sem reclamar porque o rapaz da recepção guardou uma caixa minha cheia de roupas e não cobrou nada pelo serviço e também rachou o taxi comigo meio a meio. Então deixei barato.
Conheci um Brasileiro, Leandro de São Paulo, e também a Julia da Áustria – Viena. Ela também está seguindo para Varanasi amanhã, estava dando um tempo aqui em Delhi porque passou mal nos últimos três dias e veio aqui para descansar. Bom é isso, hoje a noite sigo para Varanasi, estou muito ansioso para ver esta cidade, é conhecida como o coração espiritual da Índia, seria um grande pecado vir a Índia e não ver este local sagrado, onde todas as religiões se encontram e se banham no rio Ganges. Depois posto aqui as novidades e posto no Flickr as fotos.
Um grande abraço a todos que estão acompanhando esta minha jornada, estou lendo todos os comentários e sempre que posso respondo pessoalmente em e-mails ou no facebook.

Ashran da mãe do abraço – 20/03/2011

Passei os últimos cinco dias no ashran rosa da mãe do abraço. Foi uma experiência muito interessante. Conheci muita gente legal e pude conversar bastante e também ouvir bastante estórias. Você encontra todo tipo de gente num Ashran, desde os mais devotos e disciplinados que moram lá a 10 anos até os turistas passageiros que foi o meu caso.

Foto do Ashran - Vista externa


Tive a oportunidade de fazer trabalhos voluntários todos os dias, lá eles chamam de “SEVA”, tem todo tipo de serviço você pode escolher o que quer fazer. Eu ajudei a lavar o pátio, carregar livros, caixas, enxugar pratos. Eles também tem serviços mais técnicos dependendo da sua formação. Quem está a mais tempo cuida da parte administrativa do Ashran.
O local é muito grande, diversos prédios muito altos que comportam milhares de pessoas, existem atualmente mais de 2.000 pessoas vivendo lá e sempre há muitos estrangeiros chegando todos os dias. Para ficar lá você paga uma quantia de 200 rúpias, que equivale hoje a R$ 7,40 e você tem direito a três refeições diárias bem no estilo indiano, bem picante. No último dia eu já estava meio enjoado porque é quase sempre a mesma refeição e de manhã eles comem comida normal com arroz e legumes. Mas você também pode comprar comida ocidental lá dentro na cantina. Eles tem uma cozinha a parte e fazem uma porção de pratos como hambúrgueres, omeletes, macarrão etc, eu não comi lá nenhum dia, mas o pessoal disse que era muito bom e muito barato também.
Eles tem algumas rotinas diárias como canto as 4:30 da manhã, e 6:30 da tarde, meditação na praia ao pôr-do-sol (lindo o visual). É proibido tirar fotos dentro do Ashran então eu não pude ir com a minha máquina até a praia para tirar fotos e nem pude fotografar o interior. Tirei apenas essas fotos, uma da janela do meu quarto e outra de fora do Ashran dos prédios cor de rosa. O complexo de prédios fica localizado na beira da praia e do outro lado tem um largo rio que passa, a marginal deste rio é cercada de coqueiros, o lugar é lindíssimo. Durante as cerimônias se pode sentir a energia da corrente que é formada quando eles começam a recitar os mantras, é um evento bonito de se ver, as mulheres indianas cantando em perfeita sincronia e harmonia.


Vista para o rio que passa ao lado do Ashran



Eu não tive a oportunidade de conhecer a mãe do abraço, eles a chamam de Amma que é a abreviação de Amritanandamayi, ouvi diversas estórias sobre ela e fiquei muito curioso para ver ela de perto, espero um dia poder encontrá-la e receber o seu abraço. Fiquei sabendo que ela faz diversos tours pelo mundo e que ano passado ela foi a São Paulo.


Vista do meu quarto



As acomodações são muito simples mas o local é limpo e arrumado, todos estão sempre trabalhando para manter tudo em ordem. Achei muito legal as pessoas todas se ajudarem sem esperar nada em retorno, penso que se todos fizessem isso no mundo teríamos uma sociedade muito mais evoluída e com certeza com muitos menos problemas e desigualdades. Deixei o Ashran logo cedo pela manhã para pegar um ônibus e depois um trem e depois um Tuk tuk com destino ao aeroporto de Cochin, voei para Delhi no mesmo dia. Penso que todos que visitam a Índia deveriam, pelo menos por alguns dias, visitar um Ashran para ver como é e sentir a energia do local, neste Ashran, pela primeira vez na Índia, pude sentir o que as pessoas tanto falam sobre a Índia ser um país tão espiritualizado, coisa que não se vê nos lugares turísticos com certeza. Acho que para ver esse lado da Índia você tem que planejar com antecedência e ter algum guia que conheça esses lugares especiais.


Allepey – 19/03/2011


Chegamos em Allepey de tardezinha e fomos procurar um hotel barato. Achamos um hotel relativamente bom, especialmente se comparando com as últimas acomodações. Fomos andando até a praia e curtimos um pôr-do-sol lindíssimo na beira da praia. Allepey é uma cidadezinha pacata do Estado de Kerala no sul da Índia (tem também o nome de Allapuzha), as pessoas não ficam te oferecendo nada, a maioria nem sabe falar inglês é até difícil pedir informações na rua, nem os motoristas sabem falar inglês.
Reservamos um passeio de barco para o dia seguinte do hotel mesmo, os passeios nos barcos maiores, que eles chama de barcos-casa, custam uma fortuna (para os padrões da Índia) R$ 220,00, e duram quase dois dias porque você dorme no barco. Então optamos por um passeio alternativo em um barquinho menor, o preço foi R$ 55,00 dividido para duas pessoas.

"Backwaters" em Allepey - Índia


O passeio do dia seguinte foi muito interessante. Acordamos 5:40 da manhã para chegar ao barquinho às 6:00. Partimos de um pequeno canal de água, havia uma pequena neblinazinha saindo do lago, o sol nascia a esquerda do barco por trás dos coqueiros, o visual é muito bonito. Paramos em alguns pontos para visitar casas dos moradores locais nas pequenas vilas localizadas a beira dos canais. As pessoas são bastante amistosas.

"Backwaters" em Allepey - Índia


Voltamos ao meio dia para nos preparar para ir embora. O Laurent tinha que ir para Cochin para pegar um avião para Mumbai na manhã seguinte e de Mumbai retornar a França. Da pequena estação de trem de Allepey me separei de Laurent Baillet, seguimos caminhos opostos ele voltou para o norte e eu continuei indo para o sul. Eu sou muito grato ao Laurent por tudo que ele me ensinou e pela companhia amiga nesses 19 dias de aventuras pela Índia e espero encontrar ainda muitos novos amigos pelos caminhos que ainda irei trilhar durante este ano.

Meet Laurent Baillet

Laurent Baillet

Este é o meu amigo francês que eu conheci em Déli e me acompanhou durante 19 dias em uma viagem do Norte ao Sul da Índia. Ele tem 32 anos e mora em Paris.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Mais uma praia

Deixamos a praia de Palolem no dia 16 e seguimos para uma praia mais ao sul chamada Gokarna, ouvimos falar muito bem desta praia de decidimos dar um pulo lá para conferir. Ficamos numa praia chamada “OM”, ela tem este nome porque o formato da praia parece a letra em sânscrito “OM” que parece a letra “E” com curvas. A chegada a praia de Gokarna tem um visual muito bonito, diversas plantações de arroz e o Tuk Tuk vai numa pistinha fina contornando morros e descendo para a praia, lá de cima se pode ver belas praias e alguns rochedos pequenos no litoral. Permanecemos por dois dias nesta praia, as acomodações eram um pouco melhor que na praia de Palolem mas ainda muito precárias. A praia de Gokarna é uma praia meio Hyppie, poucas pessoas, a maioria com aquele visual bem relaxado, é um lugar agradável de se ficar por alguns dias, mas depois do segundo dia eu já estava um pouco cansado de praia, a falta do que fazer começou a me agoniar bastante.

Praia "OM" em Gokarna - Índia


Partimos para Kerala no dia 18 no trem das 00:45, desta vez A/C sleeper, quanta diferença! Tinha até cobertor e travesseiro. Conhecemos dois indianos no trem na manhã seguinte e ficamos conversando bastante. Chegamos em Allepey a famosa cidadezinha dos canais de água, amanhã as 6:00 da matina vamos fazer um passeio de barco pelos pequenos canais que cortam a cidade inteira.


Curtindo a praia na Índia - Gokarna

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dias de sossego

Agora estou aqui curtindo um pouco a praia e descansando, os dias passam devagar e não tenho tido nenhuma preocupação a não ser o que vou comer e que horas vou dormir, ô vidinha madrasta!!! hahaha.
Vou ficar aqui até o dia 16 de março, depois sigo para Kerala.
Deixo aqui os meus agradecimentos a todos que tem acompanhado o meu blog e feito comentários.

Dura peregrinação.


De Jaseilmer nós pegamos um ônibus para Ahmedabad, era um Sleeper Bus mas não era da classe A/C, aqui na Índia a classe A/C é a melhor e mais cara você só vê turista e os indianos ricos nessas classes, este foi o primeiro ônibus que eu peguei aqui fora da classe A/C, eu fiquei em uma cabine muito apertada junto com minha mochila gigante, abaixo de mim ficavam as cadeiras comuns, é impressionante, o ônibus para a todo tempo e cadê vez mais e mais pessoas entram no ônibus, depois de algumas horas eu olhei para baixo e haviam dezenas de indianos amontoados deitados no chão, alguns embaixo das cadeiras, muito mais do que o ônibus podia receber com certeza, é uma imagem meio chocante de se ver, o colchão da cabine que eu fiquei eu tenho a certeza de que NUNCA foi lavado, o cheiro era muito ruim, seguimos até o próximo destino nessas condições, em algum momento durante a noite alguém abriu a janela da minha cabine e levantei assustado, depois disso fiquei acordado prestando atenção na minha bagagem o tempo todo, se houve muitas histórias de furtos durante a noite aqui na Índia, principalmente nos ônibus e trens. Cheguei quebrado em Ahmedabad (impossível pronunciar o nome desta cidade!).
Duas horas depois entramos em um trem para Mumbai, também classe sleeper sem A/C, a cama era no terceiro andar, agora imagine um lugar onde já deitaram milhares de pessoas num ambiente fechado e que nunca! Repito! Nunca foi lavado! Eu tive medo de me deitar ali, em alguns lugares tinham algumas manchas escuras fétidas que eu me contive para não pensar muito no que podia ser aquilo, e como não havia dormido quase nada no ônibus coloquei umas roupas em baixo da minha cabeça e tentei descansar um pouco, foram mais umas oito horas até Mumbai.

É rir para não chorar


Chegando em Mumbai tivemos a desagradável surpresa de descobrir que o trem não partia da mesma estação que nós chegamos. Logo na saída da estação de trem começaram os taxistas a perguntar para onde nós íamos, nós estávamos cansados, irritados, sem dormir direito, e veio aquele bando de gente cercando e enchendo a gente de pergunta, os indianos tem a mania de ficar colado em você encostando mesmo, é muito desagradável especialmente nas condições que estávamos, pense em alguém prestes a explodir... pois é, pra piorar a situação o nosso próximo trem era só as 22:05 e numa estação fora da cidade, o taxista queira uma fortuna para levar a gente lá, mais do que pagamos por todos os três bilhetes até Goa. Depois de muito cansaço e negociação conseguimos por 800 rúpias, menos da metade do primeiro preço que o cara deu, dois taxistas estavam quase saindo na porrada para levar a gente. Entramos no taxi e falamos para o cara ir direto para estação de trem, eram mais ou menos 14:00. Chegando perto da estação o cara do taxi parou para abastecer e pediu para gente pagar o gás que ele ia colocar, eu fui logo falando: “isso já faz parte do pagamento!”. E o cara falou com a cara mais deslavada: “Não, isso é a parte, depois quando a gente chegar lá vocês ainda tem que me pagar as 1.800 rúpias!”. Nessa hora eu me segurei para não dar um soco na cara dele, eu quase voei no seu pescoço. Mas calmamente eu me controlei e falei, o que nós combinamos foi 800 e você não falou nada a respeito de combustível a parte. O cara falou que havíamos entendido errado, que era 1.800 e não 800. Nessa hora o Laurent falou: “Agora chega! Eu vou chamar a polícia!”. E foi abrindo a porta do taxi, o cara ficou meio desesperado e falou: “Tudo bem, tudo bem, a gente faz os 800 incluindo o preço do gás”. Eu olhei para o Laurent nós tentamos nos segurar e aceitamos prosseguir. O carro do cara estava caindo aos pedaços, a roda de trás estava meio solta e ele toda hora tinha que parar o taxi e dar uns chutes nela para ela para de fazer barulho, eu pensei comigo: “Que país é este!!!”. O calor era quase insuportável, chegamos na estação de trem e o cara ainda tentou passar mais um golpe. O Laurent deu uma nota de 500 ráupias e o cara rapidamente trocou por uma de 100 e disse que ele só tinha dado 100. O Laurent falou que tinha dado 500 e eu confirmei, ele olhou para nós com cara de coitado e disse: “Por que vocês estão fazendo isso comigo?”... Sem comentários, seguimos para a estação e esperamos até 22:05 pela chegado do nosso trem, sem comer e sem dormir a quase dois dias, no último trem eu comi um pão com uns bolinhos fritos e rezei muuuito para não passar mal, mas estava com muita fome e acabei comendo mesmo assim, graças a Deus ainda não passei mal aqui na Índia.

Ventilador limpinho! - Trem SL class


Para fechar com chave ouro! Entramos no trem que seguia para Goa as 22:05, o trem estava nas mesmas condições dos anteriores, mas eu dormi feito pedra, com fome e quebrado, dormimos tanto que perdemos a parada as 7:30 da manhã, hahahaha... Fomos acordados por um cara super mal educado pedindo os tickets, quando entregamos para ele, ele perguntou aonde estávamos indo, nós dissemos que estávamos indo para Goa, ele disse que Goa já tinha passado a duas horas atrás! Putz!!!.... Imagina a sensação, o cara foi extremamente estúpido, cobrou uma multa de 650 rúpias e nos botou pra fora do trem na próximas estação. Estávamos então no meio do nada, olhei para o GPS e vi que ainda estávamos em Goa, só que bem ao sul, na última parada. Pensamos em pegar um trem de volta, a estação de trem era minúscula só com dois caixas. Perguntei quando era o próximo trem para o centro de Goa e a mulher disse que era só meio dia (ainda eram 9:30 da manhã), e os bilhetes só são vendidos meia hora antes. Então fomos esperar do lado de fora da estação, olhamos um pro outro e rimos de toda a situação. Começamos a olhar no mapa do guia que o Laurent carrega sempre com ele para decidirmos qual praia iríamos ir. Depois de uns trinta minutos esperando tive a idéia de pedir informação para a moça do caixa, levei o guia comigo e pedi para ela mostrar onde nos estávamos e se havia ônibus para alguma praia mais perto. Para a minha surpresa a moça disse que a praia mais próxima ficava a 3 km e que podíamos ir até andando. Voltei animado para falar com o Laurent quando chegou um turista Francês na estação e começamos a puxar papo com ele. Para a nossa surpresa estávamos pertinho de uma das praias mais bonitas do litoral de Goa. Fomos rapidamente procurar um Tuk Tuk para nos levar até o litoral.

Praia de Palolem - Goa, Índia.


Chegando na praia tivemos uma surpresa muito agradável (para varia um pouco!). A praia é realmente bonita, como uma bela praia do litoral da Bahia, a água é morna e o que é melhor: É baixa temporada então os preços estão muuuito mais baratos. As acomodações são sofríveis (depois posto um vídeo), mas o lugar é realmente bonito. Agora vamos dar um tempo aqui para recarregar as baterias e continuar seguindo para o extremo sul da Índia. O nome da praia que estou agora é Palolem e fica no litoral sul de Goa, (se você abrir o Google maps e colocar "India Palolem Beach, Goa" você consegue ver exatamente o ponto em que estou). Bom é isso, depois de uma dura peregrinação e muuuuito estresse chegamos ao paraíso. Nem parece que estou na Índia, abraços a todos.

sábado, 12 de março de 2011

10/03/11 – Uma noite no deserto

Saímos de Jaipur a noite e seguimos para Jaseilmer, onde está localizado o deserto do Rajastão. Chegamos lá logo cedo e o rapaz da agência de turismo do passeio no deserto já estava nos esperando. Andamos um pouco pela pequena cidade aonde existe um forte muito grande. Nosso passeio estava marcado para as 14:00 mas atrasamos um pouco porque duas garotas do Chile chegaram na última hora e quiseram fazer o passeio também, o que foi ótimo porque tivemos companhia e ainda fizemos duas amigas, Cecília e Mônica, muito simpáticas e divertidas.

Cecília, Mônica e Laurent


Saímos para o deserto e montamos nos camelos, foi uma experiência e tanto, mesmo o deserto não sendo lá essas coisas (o deserto daqui não é aquele oceano de dunas sem fim como vemos em outros lugares, a paisagem é composta de uma vegetação rasteira e de vez em quando se vê algumas dunas. Chegamos a uma vilazinha pequena no meio do nada e os meninos e meninas vieram correndo para nos cumprimentar (e também pra pedir um dinheirinho, hehe). Andamos um pouquinho pela vila e seguimos para umas dunas muito perto dali.


Passeio de camelo no deserto



A noite foi super agradável, cantamos músicas de diferentes lugares do mundo, conversamos sobre as diferentes culturas, fizemos fogueira e ajudamos a preparar a comida. Jeseilmer é a última cidade antes da fronteira do Paquistão, então se vê muita influência da cultura mulçumana por lá, os guias que estavam conosco eram todos mulçumanos. Durante todo tempo fomos muito bem tratados, para finalizar dormimos num colchão em cima das dunas cobertos pelas estrelas, o fio chega forte durante a noite, tive que dormir com a cabeça dentro da coberta.


Por-do-sol no deserto



No outro dia voltamos para a cidade, de camelo até certo ponto e depois de jipe. O nosso ticket de ônibus já estava comprado para o mesmo dia a noite. Esperamos com as meninas do Chile andando pela cidade e pelo forte de Jaseilmer. Ao fim do dia nos preparamos para deixar essa bela e pacata cidade, muito mais tranqüila do que as grandes cidades da Índia.


Forte de Jaseilmer

segunda-feira, 7 de março de 2011

07/03/2011 - Sexto dia na Índia

Hoje nós começamos o dia indo para a “Old City”, caminhamos pelas ruas da velha Jaipur apenas observando o movimento e tirando algumas fotos. Eu vi pela primeira vez na Índia um encantador de cobras! Foi muito impressionante, e a cobra tentava picar ele o tempo todo e depois tentava sair e todo mundo saia de perto rapidinho, eu não pude tirar fotos porque estava sem trocado na hora e ele ficava bem bravo quando alguém tentava tirar foto sem dar uma graninha pra ele, e eu achei que não era muito bom contrariar o cara com uma cobra naja na frente dele, hehe.
Enquanto estávamos caminhando eu vi um lugar bem calmo com uma pirâmide bem alta e fui ver o que era. Nós entramos neste lugar bem simples que parecia uma escola com uns bancos bem velhos e uns quadros negros com escrita em giz. Eu e Lourent estávamos tirando algumas fotos quando um homem se aproximou e começou a fazer algumas perguntas e eu logo pensei que ele ia querer me vender alguma coisa ou tentar me empurrar para algum lugar, mas ouvi o que ele tinha a dizer e começamos a conversar, depois de algum tempo vi que ele só estava interessado em saber mais sobre a cultura do país de onde eu vim e o que eu pensava sobre a Índia sobre Deus e eu achei bem interessante, ele foi o primeiro indiano que se aproximou apenas para conversar e ele foi super simpático, no fim da conversa ele pediu para o Laurent tirar uma fotografia nossa com o celular dele, eu achei isso o máximo, fiz o mesmo é claro. Depois descendo um pouco mais a rua eu vi este outro lugar calmo e entrei para ver. Era o templo de Khristna, devem ter trocentos templos de Khristna na Índia, o lugar era muito surreal, no meio do caos do trânsito e as buzinas, que a propósito eles buzinam muito menos aqui em Jaipur, eu encontrei este lugar em silencio total, uma atmosfera diferente pairava no ar, eu pude sentir que era realmente um lugar sagrado e os indianos respeitam muito esses templos, ninguém chega perto de você para te oferecer nada, foi ótimo.
Depois pegamos outro Tuk Tuk para o forte Amber, um palácio gigante, ainda maior que o Forte vermelho em Agra, o lugar é incrível! Tema até uma muralha bem parecida com a da China em volta dele, mas claro que é muuuito menor a muralha. O lugar é cheio de escadas que vão para todos os lados com incontáveis salas, é um labirinto enorme, uma hora nós literalmente entramos por uma porta e saímos em outra dando uma volta e aparecendo no mesmo lugar, igualzinho nos desenhos animados e fizemos sem perceber, hahaha, foi bem engraçado.
Depois disso fomos ao “Water Palace”, que é um palácio que fica com os seus três primeiros andares embaixo d’água, é muito interessante de se ver, tirei algumas fotos e seguimos para a casa dos elefantes! É isso mesmo! Vi o meu primeiro elefante na Índia e até pude abraçar e tocar nele foi uma experiência inédita pra mim, espero da próxima vez poder montar em um e sair passeando, este estava preso, o lugar não era lá essas coisas, na verdade parece um cativeiro, quando o cara falou eu pensei que era algum lugar na selva com elefantes coloridos andando livres pra todo lado, mas não, era tipo um estábulo com elefantes acorrentados mesmo. Mas foi legal a experiência. No caminho de volta eu reparei que o trânsito aqui é mais comportado que em outras cidades da Índia e eu falei com o motorista do Tuk Tuk que em Agra não existe mão e contra-mão e ninguém é multado, e ele me disse que Jaipur é a capital do Rajastão e eles tem que dar o exemplo, andar na contra-mão, ou sem capacete na moto dá multa de 1000 rúpias aqui, por isso todo mundo anda mais ou menos na linha, e também não pode andar duas pessoas no banco da frente do Tuk Tuk.
Depois voltamos pro hotel e fomos andar até achar um restaurante bacana, andamos um bocado, passamos em frente a uma rua muito movimentada cheia de lojas e tinha até um shopping Center com Pizza Hut, mas não comi lá não, fomos a um restaurante chique que o Laurente viu no seu guia enorme que ele carrega pra cima e pra baixo e depois voltamos para o hotel.

domingo, 6 de março de 2011

A caminho de Jaipur

Hoje o dia foi muito tranqüilo, sem a correria de visitar vários lugares pude dormir até mais tarde. A passagem para Jaipu estava marcada para as 17:40 então tivemos bastante tempo para descansar e conversar. No nosso quarto estavam mais quatro pessoas, três amigos da Inglaterra e uma moça alemã (Mar Lous), esta alemã ficou nossa amiga, ela está viajando pelo mundo a cinco meses. Ficamos no albergue até umas 14:00 e depois fomos andar um pouco pelas ruas para tirar umas fotos e almoçar num restaurante do lado do Taj Mahal com vista para ele, o prédio tinha uns quatro andares, foi muito bacana.
Depois do almoço seguimos para o albergue para pegar nossas coisas e ir para a rodoviária, desta vez com uma hora de antecedência, tudo correu perfeitamente bem. A Mar Lous foi com a gente para comprar a passagem dela para Varanasi.
A viagem de trem foi tranqüila, embora cansativa, chegamos em Jaipur já quase 23:00. O Hotel é muito bom e por um preço excelente também. Estou em Jaipur agora e talvez amanhã eu vá ver alguns templos e planejar o meu próximo passo.

sábado, 5 de março de 2011

Nas ruas de Agra de Tuk Tuk



Este vídeo eu fiz atendendo a pedidos. Dedico a Juliana Gallo e Darcio Pimenta de São Paulo, amigos que estão morando em Londres.

Enjoy it!

Um grande abraço

Dia do Taj Mahal

Hoje eu conheci um dos grandes símbolos da Índia, o Taj Mahal, e não é a toa, o lugar é simplesmente deslumbrante. Um lindo palácio branco imponente. Saímos logo cedo para pegar a melhor luz ao nascer do sol. Fiquei impressionado com tantos detalhes, certamente é um lugar que te faze pensar um bocado a respeito da raça humana, como o homem pode ser tão grandioso as vezes e outras vezes tão insignificante.

Vista do Taj Mahal - Entrada


Passamos o resto do dia visitando as outras atrações aqui de Agra, mas depois do Taj Mahal os outros palácios ficam até ordinários. O turismo aqui na Índia não é tão barato como eu imaginei, você gasta facilmente 30 dólares em um dia, você tem que pagar para entrar em todos os lugares, fora todas as outras vezes que os Indianos ficam te cobrando dinheiro e você não sabe se precisa ou não pagar mesmo.


Detalhe do Forte Vermelho



Andamos o dia inteiro em um Tuk Tuk, o trânsito aqui é muito caótico, depois de algumas horas você fica um pouco estressado com tantas buzinas soando ao mesmo tempo e o cara do Tuk Tuk quase bate o tempo todo, é uma roleta russa. Vi vários acidentes aqui só hoje, mas nenhum sério, a maioria só pequenas batidas. O interessante é que se uma via está congestionada eles simplesmente entram na contra-mão e começam a andar ali, é uma loucura acho que é impossível por em palavras o quão caótico é o trânsito daqui, só quem já veio é que sabe.


Forte Vermelho - Agra



Outro lugar interessante que visitamos foi o Forte vermelho, uma fortaleza gigante erguida em 1565 na época dos imperadores da Índia. O lugar é muito bonito e você consegue ver o Taj Mahal de lá.
Amanhã seguimos para Jaipur no Rajastão. O plano é visitar o parque dos tigres e procurar uma cidade que tenha o famoso turismo de camelos, aonde você andar durante o dia pelo deserto e a noite dorme a luz das estrelas no meio do deserto.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Saída de Déli - 04 de março de 2011.

Agra - No limite do insuportável

Hoje o dia começou muito bem, acordei, tomei café da manhã, fiz o meu check-out no albergue e parti com o Laurent para a estação ferroviária para pegar o trem para Agra. Minha mala estava muito cheia então eu tive de deixar um monte de roupa que eu não vou usar aqui na Índia num locker no albergue. Saímos bastante apressados com o tempo curto para pegar o metrô e ainda procurar a plataforma do trem mas chegamos ainda com uns 15 minutos de folga.

Cabine do trem 2A - Laurent e casal da Suécia


A viagem de trem foi bem tranqüila, o vagão que pegamos era o de classe AC que eles chamam aqui a executiva, ao invés de cadeiras tem camas e muitas pessoas vão dormindo durante a viagem. Loga a nossa frente dividindo uma pequena área estavam um casal da Suécia, nós conversamos um bocado sobre diferentes países, clima e viagens. Após quase três horas chegamos a Agra. Na saída da rodoviária pegamos um taxi e chegamos no albergue. O cara do taxi veio o caminho todo querendo nos vender um pacote para visitar três lugares com ele amanhã por 600 rúpias, preço bem caro se levar em conta que estamos bem perto do Taj Mahal. Mas até ai tudo bem tudo bem.

Prévia do Taj Mahal - Por trás dos bastidores


Chegamos no albergue deixamos nossas coisas e fomos dar uma volta até o Taj Mahal, só para ver de fora mesmo porque sexta-feira ele é fechado. No caminho logo começaram aparecer os carinhas oferecendo uma volta no Tuk tuk ou na bicicleta charrete deles, no início eu até estava sendo bem simpático, mas no caminho para o Taj Mahal, na avenida principal que leva até ele que é a mais movimentada da cidade, as pessoas são insuportáveis, se você acha que andar no pelourinho em Salvador é desagradável por causa das baianas que ficam amarrando fitinha no seu braço, você devia passar apenas um dia em Agra, eles são absurdamente desagradáveis, grudam no seu pé e ficam perguntando da onde você é, o que você está procurando, etc.

Macaco ao lado do Taj Mahal


Voltamos ao albergue no pôr-do-sol, assim que saímos da avenida principal eu respirei aliviado, tudo isso aconteceu em menos de três horas. Em Déli há muito mais pessoas mas eles estão mais preocupados em cuidar das suas próprias vidas, aqui toda a atenção de TODOS na cidade é para os turistas é realmente cansativo. Amanhã vamos ver o Taj Mahal logo cedo e depois vamos comprar o bilhete na estação de trem para ir para o Rajastão, espero que a próxima cidade seja menos opressiva que Agra.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Segundo dia na Índia – So far so good


Vaca no meio do trânsito


Hoje o dia foi movimentado, mas começou um pouquinho tarde porque eu simplesmente apaguei a noite inteira e fui acordar só as 13:00 da tarde. O dia estava chuvoso mas a temperatura estava boa. No meu quarto de albergue estão o Bruce (Escoces) o Laurent (Frances) e a Karina (Dinamarquesa), ela chegou durante a noite. Depois de acordar resolvemos ir para a estação de trem de Delhi para comprar uma passagem de trem para Agra, eu e o Laurent estamos indo amanhã para Agra, fiquei sabendo que o Taj Mahal não abre as sextas, mas teremos mais tempo para procurar um albergue na sexta e passar o sábado em Agra visitando a cidade e templos. Depois de passar um bocado de tempo andando pra lá e pra cá na estação de trem sem saber exatamente onde comprar a passagem conseguimos encontrar o lugar e comprar o bilhete, 430 INR (próximo de R$ 16,00), mas nós não temos certeza se era o bilhete de primeira classe, o cara falou algumas coisas que nem eu nem o Laurent entendemos, mas amanhã saberemos que classe é o trem.

Laurent, Bruce e Karina


Depois seguimos para o centro para uma rua bem movimentada, acho que se chama main bazar, é uma loucura por lá, realmente movimentada, mas não sofremos muito assédio dos vendedores não, nada diferente da feira do Paraguai por exemplo, pessoas querendo te vender um óculos ou um pacote turístico, coisas assim.

Estação de metrô - Saket


Achamos um restaurante para comer, o Laurent tem um guia gigante que fala tudo sobre a Índia, e lá tem até os melhores e mais confiáveis restaurantes para comer. Achamos um dos restaurantes do gui e comemos lá, foi muito bom, a comida esta uma delícia, estava um pouquinho picante mas nada comparado as comidas que eu estava comendo na casa dos pais do Mohan em Londres, então eu nem senti a pimenta. Comi também um pão com queijo dentro delicioso. Até agora eu não passei mal com nada, mas ainda é muito cedo para falar qualquer coisa, ainda é só o segundo dia.

Rua movimentada - main bazar


Sairei de Delhi um dia antes do planejado, não tive a oportunidade de ver muita coisa por aqui mas eu ainda vou voltar e ficar mais uns dois dias aqui depois porque vou pegar um vôo para o Nepal daqui, então terei a oportunidade de ver o Lotus Temple e o Red Fortress na old Delhi. Então é isso, o dia ficou chuvoso e com uma neblinazinha fina o tempo todo, espero que o tempo melhore nos próximos dias para eu ter fotos bem bonitas do Taj Mahal.

quarta-feira, 2 de março de 2011

CAPÍTULO II - Índia

Primeiro dia na Índia! Nossa, agora que a poeira já baixou eu posso organizar os meus pensamentos. Bom, os primeiros momentos foram meio tensos na saída do aeroporto, o cara do albergue que tinha ficado de me pagar no aeroporto não estava lá e eu não tinha telefone para ligar para ele. Depois de algum tempo esperando eu fui perguntar para um rapaz da lojinha de café se ele sabia onde havia um telefone público que eu pudesse usar ali por perto. Ele, para a minha surpresa, disse: eu posso ligar pra você. Eu fiquei tão feliz que ele até percebeu. Eu liguei para o cara do albergue e acho que ele tinha esquecido que tinha combinado de me pegar lá. Uns 40 minutos depois ele chegou. Na saída do aeroporto havia uma névoazinha que atrapalhava de olhar a vista ao redor, a temperatura estava por volta dos 17 graus, nada mal para quem ficou no frio de Londres, achei até quentinho.
Logo percebi como o trânsito daqui é louco! Os carros vão fechando uns aos outros e buzinando insistentemente sem parar freneticamente! É uma loucura, depois de uns 10 minutos você começa a ficar agoniado. Há muitas pessoas andando pelas ruas por todos os lados, os carros, as motos, os tuk tuk, as pessoas, uma loucura!
Cheguei ao albergue cansado e fui descansar um pouco, já eram 14:30 do horário local, que é 8:30 a frente do de Brasília. Depois de descansar um pouco fui andar nas ruas para sentir o drama de perto. Andei em uma rua bem movimentada por aqui, não levei nada comigo, queria sentir como era o ambiente, então não tirei fotos nenhuma hoje também, só observei e absorvi o ambiente ao meu redor, foi uma experiência fascinante, em um determinado momento eu pensei: Caramba, eu estou andando nas ruas da Índia. O cenário era caótico, na calçada corria um rio de esgoto debaixo do chão que de vez em quando se podia sentir o cheiro, mas não fede o tempo todo, pelo menos não ali. Há muitas lojinhas de tudo o que se possa imaginar, muitas pessoas andando e claro, centenas de carros e motos buzinando sem parar, é costume aqui, eles buzinam mesmo quando não é preciso.
Depois voltei ao albergue e o jantar estava servido, um arroz com vegetais (na verdade de vegetais mesmo quase não se via nada, é mais arroz mesmo, mas é de graça e eu mandei ver) os outros hóspedes estavam comendo e disseram que não tinha problema. Logo comecei a me enturmar, conheci primeiro um finlandês chamado Riku, ele já esteve na China e em outros lugares que eu quero visitar e começamos a conversar bastante, ele foi super receptivo, logo começaram a chegar outros na sala e todos entraram na conversa, o pessoal daqui é bem viajado, conheci um cara da Escócia, outro da França, os dois chegaram recentemente e também não conhecem muito daqui, amanhã vamos fazer algo juntos. Espero ver lugares bonitos por aqui em Delhi.
Este albergue tem internet Wifi, então eu vou conseguir atualizar bem o blog esta semana, mas provavelmente não encontrarei internet fácil assim todos os dias então as atualizações vão depender muito do acesso que eu encontrar por aqui. É isso pessoal, cheguei na Índia, correu tudo bem não tive problemas nenhum no vôo ou no aeroporto. Um grande abraço e mais uma vez eu agradeço a força que todos estão me dando através dos e-mails, do facebook e do blog.

terça-feira, 1 de março de 2011

Londres - Balanço geral

Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra. " (Gênesis 11:9)



Londres é assim, uma grande torre de Babel onde ninguém fala a mesma língua. Ao caminhar nas ruas do centro, no metrô, nos pubs, você ouve tudo que é tipo de língua e tudo que é tipo de etnia. Mulheres de burca, homens com barba gigante de judeu, italianos, espanhóis, brasileiros, portugueses, franceses, etc... Teve dia que eu andei o dia inteiro pelo centro das ruas mais movimentadas e a língua que eu menos ouvia sendo falada pelo povo era o inglês, eu achei isso muito impressionante.
O serviço público de transporte é fantástico, embora não seja barato, e extremamente eficiente. Você tem informação o tempo todo sobre a posição dos trens ou ônibus em pequenas telinhas perto das estações e você consegue saber inclusive se o transporte vai atrasar ou não. Com um ticket você pode andar a cidade inteira o dia inteiro (excelente para turistas). Os ônibus são muito confortáveis e cheios de tecnologia, mas não é a opção mais rápida de transporte, pois param demais o tempo todo e dependendo do trânsito ele pode demorar ainda mais.
Outra coisa que achei muito interessante é que você quase não vê ninguém nas ruas te pedindo dinheiro, todos andam despreocupados no centro da cidade com celulares caros e relógios Rolex e roupas caras e não há risco de assalto, eu andei diversas vezes com minha câmera pendurada no pescoço nas ruas mais movimentadas, no metrô e não passei por nenhuma situação de risco. A maior preocupação das pessoas aqui é com atentados terroristas, não com assaltos ou com pessoas mendigando nas ruas.
Londres tem diversos bairros onde você encontra diversas casinhas idênticas umas as outras. É até engraçado, você entra numa rua e vê aquele mundo de casas iguais, normalmente eles fazem duas casas grudadas parecendo uma uma e repetem isso por diversas ruas, é bem diferente de ver. 
A rotina das pessoas aqui é como a de toda cidade grande, penso que quem mora em São Paulo nem sente tanta diferença, mas para mim foi um choque, tanta correria, ninguém fala com ninguém, na hora do fim do expediente as estações de metrô ficam super lotadas e você tem que se meter no meio daquele mundo de pessoas e se deixar levar pelo fluxo, para mim foi legal para viver a experiência, mas com certeza eu odiaria passar por isso todos os dias.
Uma coisa interessante é que, devido a grande diversidade cultural que se encontra aqui, ninguém liga muito para a sua forma de vestir ou sua aparência de forma geral, você vê cada figura andando pelas ruas, que num país como o Brasil certamente as pessoas no mínimo iriam comentar pelas costas, aqui é tudo normal do punk ao executivo, todos coabitando sem estresse e sem julgamento. Mas de maneira geral as pessoas são frias e não falam com você a menos que você pergunte alguma coisa para elas e vão te responder apenas o que você perguntou também.
Os preços em Londres variam muito, dependendo do que você quer fazer. Você consegue viver uma vida simples sem luxos por um preço razoável, viagens de ônibus para a Europa, por exemplo, são baratíssimas, 28 Libras o ônibus para Paris por exemplo. Ao mesmo tempo o entretenimento é caríssimo! Fora os museus que são gratuitos, você é bombardeado constantemente e insistentemente por panfletos de musicais, óperas, espetáculos maravilhosos, nas estações de metrô tem um outdoor a cada metro, mas quando você vai ver o preço cai para trás, normalmente variam de 60 a 140 libras. Uma volta naquela roda gigante no centro custa 30 libras, todos os passeios turísticos mais tradicionais são caros, até para entrar na igreja Abbey eles cobram 16 libras! Mas resumindo, você consegue ficar em Londres e ver algumas atrações gratuitas sem gastar tanto, mas sem ver os grandes espetáculos da Leicester Square também.
A água é meio esquisita porque eles colocam tantos produtos químicos para reciclar a água que você fica meio que com uma sensação esquisita na pele no banho, e para beber ela é meio pesada e um pouquinho salobra também, mas você pode tomar direto da torneira sem ter problemas com isso. Os produtos de limpeza são um pouco diferentes, a maioria mais eficientes que os do Brasil. Os alimentos no supermercado são parecidos mas eu achei que eles são um pouco sem gosto, são mais bonitos e menos saborosos, tanto as frutas como os legumes.
Todas as casas têm aquecedor central o que facilita muito agüentar o frio que é constante e torturante, principalmente para um brasileiro. Tive a oportunidade de ficar hospedado na casa de pessoas que moram aqui, o que foi uma experiência muito interessante para mim porque tive oportunidade de ver a rotina das pessoas e acompanhar um pouco isso de perto. Ir para a estação de trem de manhã, olhar o horário do trem antes de sair. Pegar o metrô pro centro, andar nas ruas movimentadas da cidade, e voltar de noite. Foi uma excelente experiência de vida para mim.
Os planos de telefonia celular aqui são muito melhores que no Brasil. Com cerca de 10 a 20 libras você consegue pacotes fantásticos como por exemplo, eu comprei um cartão pré-pago da companhia “Giffgaff” coloquei 10 libras de crédito e por um mês você tem: Internet 3G ultra rápida ILIMITADA (inclusive na Escócia e Irlanda); 250 minutos para falar para qualquer operadora e fixo; pode ligar gratuitamente (fora dos 250 min) para qualquer outro número da Giffgaff, incrível, imagine isso no Brasil...
Bom é isso, agora é partir para o próximo destino, Índia! O contraste vai ser brutal eu sei, depois eu posto aqui as primeiras impressões.