segunda-feira, 14 de março de 2011

Dura peregrinação.


De Jaseilmer nós pegamos um ônibus para Ahmedabad, era um Sleeper Bus mas não era da classe A/C, aqui na Índia a classe A/C é a melhor e mais cara você só vê turista e os indianos ricos nessas classes, este foi o primeiro ônibus que eu peguei aqui fora da classe A/C, eu fiquei em uma cabine muito apertada junto com minha mochila gigante, abaixo de mim ficavam as cadeiras comuns, é impressionante, o ônibus para a todo tempo e cadê vez mais e mais pessoas entram no ônibus, depois de algumas horas eu olhei para baixo e haviam dezenas de indianos amontoados deitados no chão, alguns embaixo das cadeiras, muito mais do que o ônibus podia receber com certeza, é uma imagem meio chocante de se ver, o colchão da cabine que eu fiquei eu tenho a certeza de que NUNCA foi lavado, o cheiro era muito ruim, seguimos até o próximo destino nessas condições, em algum momento durante a noite alguém abriu a janela da minha cabine e levantei assustado, depois disso fiquei acordado prestando atenção na minha bagagem o tempo todo, se houve muitas histórias de furtos durante a noite aqui na Índia, principalmente nos ônibus e trens. Cheguei quebrado em Ahmedabad (impossível pronunciar o nome desta cidade!).
Duas horas depois entramos em um trem para Mumbai, também classe sleeper sem A/C, a cama era no terceiro andar, agora imagine um lugar onde já deitaram milhares de pessoas num ambiente fechado e que nunca! Repito! Nunca foi lavado! Eu tive medo de me deitar ali, em alguns lugares tinham algumas manchas escuras fétidas que eu me contive para não pensar muito no que podia ser aquilo, e como não havia dormido quase nada no ônibus coloquei umas roupas em baixo da minha cabeça e tentei descansar um pouco, foram mais umas oito horas até Mumbai.

É rir para não chorar


Chegando em Mumbai tivemos a desagradável surpresa de descobrir que o trem não partia da mesma estação que nós chegamos. Logo na saída da estação de trem começaram os taxistas a perguntar para onde nós íamos, nós estávamos cansados, irritados, sem dormir direito, e veio aquele bando de gente cercando e enchendo a gente de pergunta, os indianos tem a mania de ficar colado em você encostando mesmo, é muito desagradável especialmente nas condições que estávamos, pense em alguém prestes a explodir... pois é, pra piorar a situação o nosso próximo trem era só as 22:05 e numa estação fora da cidade, o taxista queira uma fortuna para levar a gente lá, mais do que pagamos por todos os três bilhetes até Goa. Depois de muito cansaço e negociação conseguimos por 800 rúpias, menos da metade do primeiro preço que o cara deu, dois taxistas estavam quase saindo na porrada para levar a gente. Entramos no taxi e falamos para o cara ir direto para estação de trem, eram mais ou menos 14:00. Chegando perto da estação o cara do taxi parou para abastecer e pediu para gente pagar o gás que ele ia colocar, eu fui logo falando: “isso já faz parte do pagamento!”. E o cara falou com a cara mais deslavada: “Não, isso é a parte, depois quando a gente chegar lá vocês ainda tem que me pagar as 1.800 rúpias!”. Nessa hora eu me segurei para não dar um soco na cara dele, eu quase voei no seu pescoço. Mas calmamente eu me controlei e falei, o que nós combinamos foi 800 e você não falou nada a respeito de combustível a parte. O cara falou que havíamos entendido errado, que era 1.800 e não 800. Nessa hora o Laurent falou: “Agora chega! Eu vou chamar a polícia!”. E foi abrindo a porta do taxi, o cara ficou meio desesperado e falou: “Tudo bem, tudo bem, a gente faz os 800 incluindo o preço do gás”. Eu olhei para o Laurent nós tentamos nos segurar e aceitamos prosseguir. O carro do cara estava caindo aos pedaços, a roda de trás estava meio solta e ele toda hora tinha que parar o taxi e dar uns chutes nela para ela para de fazer barulho, eu pensei comigo: “Que país é este!!!”. O calor era quase insuportável, chegamos na estação de trem e o cara ainda tentou passar mais um golpe. O Laurent deu uma nota de 500 ráupias e o cara rapidamente trocou por uma de 100 e disse que ele só tinha dado 100. O Laurent falou que tinha dado 500 e eu confirmei, ele olhou para nós com cara de coitado e disse: “Por que vocês estão fazendo isso comigo?”... Sem comentários, seguimos para a estação e esperamos até 22:05 pela chegado do nosso trem, sem comer e sem dormir a quase dois dias, no último trem eu comi um pão com uns bolinhos fritos e rezei muuuito para não passar mal, mas estava com muita fome e acabei comendo mesmo assim, graças a Deus ainda não passei mal aqui na Índia.

Ventilador limpinho! - Trem SL class


Para fechar com chave ouro! Entramos no trem que seguia para Goa as 22:05, o trem estava nas mesmas condições dos anteriores, mas eu dormi feito pedra, com fome e quebrado, dormimos tanto que perdemos a parada as 7:30 da manhã, hahahaha... Fomos acordados por um cara super mal educado pedindo os tickets, quando entregamos para ele, ele perguntou aonde estávamos indo, nós dissemos que estávamos indo para Goa, ele disse que Goa já tinha passado a duas horas atrás! Putz!!!.... Imagina a sensação, o cara foi extremamente estúpido, cobrou uma multa de 650 rúpias e nos botou pra fora do trem na próximas estação. Estávamos então no meio do nada, olhei para o GPS e vi que ainda estávamos em Goa, só que bem ao sul, na última parada. Pensamos em pegar um trem de volta, a estação de trem era minúscula só com dois caixas. Perguntei quando era o próximo trem para o centro de Goa e a mulher disse que era só meio dia (ainda eram 9:30 da manhã), e os bilhetes só são vendidos meia hora antes. Então fomos esperar do lado de fora da estação, olhamos um pro outro e rimos de toda a situação. Começamos a olhar no mapa do guia que o Laurent carrega sempre com ele para decidirmos qual praia iríamos ir. Depois de uns trinta minutos esperando tive a idéia de pedir informação para a moça do caixa, levei o guia comigo e pedi para ela mostrar onde nos estávamos e se havia ônibus para alguma praia mais perto. Para a minha surpresa a moça disse que a praia mais próxima ficava a 3 km e que podíamos ir até andando. Voltei animado para falar com o Laurent quando chegou um turista Francês na estação e começamos a puxar papo com ele. Para a nossa surpresa estávamos pertinho de uma das praias mais bonitas do litoral de Goa. Fomos rapidamente procurar um Tuk Tuk para nos levar até o litoral.

Praia de Palolem - Goa, Índia.


Chegando na praia tivemos uma surpresa muito agradável (para varia um pouco!). A praia é realmente bonita, como uma bela praia do litoral da Bahia, a água é morna e o que é melhor: É baixa temporada então os preços estão muuuito mais baratos. As acomodações são sofríveis (depois posto um vídeo), mas o lugar é realmente bonito. Agora vamos dar um tempo aqui para recarregar as baterias e continuar seguindo para o extremo sul da Índia. O nome da praia que estou agora é Palolem e fica no litoral sul de Goa, (se você abrir o Google maps e colocar "India Palolem Beach, Goa" você consegue ver exatamente o ponto em que estou). Bom é isso, depois de uma dura peregrinação e muuuuito estresse chegamos ao paraíso. Nem parece que estou na Índia, abraços a todos.

3 comentários:

  1. Eita hein,
    tu sofreu!

    Mas eu vi lá no google! Lindo lugar!
    Recarregue as baterias aí!

    Abraço,
    VICTOR

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  2. Umas das melhores coisas de viajar é isso: achar que tá perdido e descobrir que na verdade você acabou de se achar! Ah, a vida! :)))
    Tati P.

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  3. Agora sim ta parecendo uma viagem ao redor do mundo rsrs!! Q bom q a praia era boa!!! Abraço

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